Educação & Sociedade em Rede

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Educação & Sociedade em Rede


A REDE COMO INTERFACE EDUCATIVO

[recensão crítica dos vídeos de Mike Wesch]

Michael Lee Wesch is an associate professor of Cultural Anthropology at Kansas State University in the US. Winner of several awards. Developed a recognized work on the ecology area of the media when explored the human uses of digital technology.

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Vídeo 1 Students Helping Students

It is a video promoting the K-State Proud project, mutual help of students from the University of Kansas, some of these with dramatic life stories. The video shows that when we are social beings, we feel empathy for our species and that social networks can help us developing these characteristics. With the increase of the communities will be easier to achieve the objectives. The video addresses this issue positively.

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Vídeo 2 A Vision of Students Today

This video is a reflection on the state of education and what technologycan offer for students engagement.
How do students learn? What do they need to learn? What are students goals? What hopes, dreams, aspirations do they have?
A reality based on the gap between students lives and universities. Technologies may be the solution for bringing the students closer to the subjects through various tools known and used by them.

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Vídeo 3 The Machine is (Changing) Us: Youtube and the Politics of Autenticity

Depicts the participation of M. Wesch at a conference in the Lincoln Center in 2009 on imergentes forms of interaction on YouTube and new media. Alludes to Big Brother society where concealment of true facts is made and the absence of books is evident. So, society tends to an exaggerated consumption and early information to which it has access. The media can shape conversations alluding to the void of the social dimension of people.
Wesch designate “cultural inversion” when we see ourselves digitally on the interaction with others, when there is a personality release which leads to a self-reflection.
It is pointed out that cultural revolution can come from YouTube. Also mention that we must know how to take full advantage of this tool without being subjugated to it. This tool, for many, is a mean of self-assertion.

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Vídeo 4 The Machine is Us/ing Us

This is a video that refers the full potential of Web 2.0 and real virtualization. It is referred to the potentialities of hypertext because it is more flexible than the normal writing establishing more comprehensive and multifaceted links. We use computers to revelar our information, but the opposite is also true, they are our reflection.

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The school and present are lagging and Wesch indicates that there must be an adaptation of teaching practice to the current network society by promoting interactions in cyberspace. Only in this way is achieved educational success.
There must be a paradigm shift that to Wesch, should be based on Web 2.0 and new media. These changes are now without the spatiotemporal barriers, and globalizing having a mutual path between education and technology.

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A VIRTUALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES SOCIAIS

Tal como na vida real, neste mundo virtual a que a internet e as novas tecnologias nos “obrigam” a estar cada vez mais presentes, muito há a refletir e a discutir sobre a virtualização das relações sociais.

Passou-se rapidamente nas últimas décadas de uma comunicação oral e escrita presencial, para uma à distância mediada por computador. Esta alteração de paradigma de comunicação veio, por um lado distanciar-nos fisicamente, por outro encurtar distâncias e facilitar a comunicação. Neste encurtar de distância física, Lévy (1997) leva-nos ao conceito de ciberespaço como sendo o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores.

No ciberespaço, muita informação existe disponível a todos. Mas, uma das problemáticas existentes é saber distinguir o bom do mau, saber se a informação é credível. Para tal, há que saber distinguir quais as fontes de informação credíveis e, caso necessário, efetuar a triangulação de dados/fontes.

Recorde-se que Castells (2011) na sua obra resolve «apelar a Leibniz para quem o tempo é a ordem da sucessão das “coisas”, de forma que sem as “coisas” não existiria tempo.» É neste tempo onde a sucessão das “coisas” se passa a uma velocidade cada vez maior, com um enorme acerto de informações disponíveis, para o qual somos chamados constantemente a aceder.

No campo do ensino-aprendizagem corre-se o risco da prática da fraude académica, atitude este que é obviamente uma prática ilícita. Para Prancotal (2004) citado por Litto (2012) sobre ilicitude na academia e na sociedade em geral, relativamente ao «nível da pessoa física, Prancotal observa que as motivações para cometar atos ilícitos como plágio e demais infrações […] são variadas: “ambição irracional, preconceitos, busca de glória, rivalidade, lances ideológicos e interesses económicos”, quando na realidade, a única motivação aceitável para atividades científicas e humanísticas na academia deve ser “a busca da verdade”».

No ensino a distância, ou numa outra qualquer interação social virtual, há que refletir sobre o esvaziamento do real face às vantagens que possam advir da distância física. Baudrillard olha para o virtual como um esvaziamento do real e, consequentemente, como o fim da comunicação. Por outro lado, Lévy tem uma noção do virtual assente num exercício de criatividade.

Na sua obra, Lévy (1997) faz uma alusão à simulação do real exemplificando a simulação na formação de pilotos. Um excelente exemplo de como uma simulação é uma mais-valia usando a tecnologia, minimizando erros e maximizando as aprendizagens.

A falta de tempo, a rapidez com que se dá a globalização, associada à nossa alteração de afetos, pode vir a influenciar a utilização da tecnologia. Pois “A sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias” (Castells, 2006).

Segundo Lévy (1997) “os indivíduos ou grupos de participantes são imersos num mundo virtual, isto é eles têm uma imagem de si próprios e da sua situação.” É nesta imersão, referida por Lévy, que somos levados a modificar a nossa imagem do mundo virtual e a imagem de nós próprios.

O nosso posicionamento virtual, nas redes sociais, face à nossa vida, cada vez mais partilhada, pode levar-nos à alteração da nossa própria identidade. Nas redes virtuais, à semelhança dos Chinese Boys, há cada vez mais uma assunção de diferentes papéis virtuais como forma de afirmação do próprio eu. Necessitamos ser cada ver mais eticamente responsáveis, quanto a ilicitudes académicas como nas relações virtuais sociais. O mundo muda rápido e necessitamos estar alertas, atentos e numa constante reflexão.

Referências bibliográficas:

Castells, M. (2011). A sociedade em rede. (4ª ed.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian

Lévy, P. (1997). Cibercultura. Lisboa: Instituto Piaget.

Litto, F. M., & Formiga, M. (orgs.) (2012). Educação a distância: o estado da arte. (vol. 2). (2ª ed.). São Paulo: Pearson Education do Brasil.

Teixeira; A. M.; & Ferreira, M. L. R. (2014). Ensinar e aprender filosofia no mundo digital. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.

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O FENÓMENO DA CIBERCULTURA

Actividade 2: Analisar o texto referenciado de Pierre Lévy [Cibercultura]

cibercultura

 

“A inteligência coletiva constitui mais um campo de problemas do que uma solução.”

Lévy (2000, p. 137).

 

 

Pierre_Lévy Foto Damião Francisco wikipedia
Pierre Lévy. (Foto: Damião Francisco, wikipédia)

 

Pierre Lévy nasceu na Tunísia em 1956 (nessa época era uma colónia francesa) e é professor universitário na Universidade do Quebeque. É um filósofo da cultura virtual contemporânea e um dos maiores estudiosos da internet. O foco de interesses deste filósofo são: inteligência artificial, inteligência coletiva e cibercultura. Em 1997 publica o livro Cyberculture – um relatório para o Conselho da Europa no quadro do projeto «Novas tecnologias: cooperação cultural e comunicação».

O autor mostra-se favorável face à Educação a Distância e procura indagar quais são as implicações culturais vindas do advento das tecnologias de informação e comunicação. Reconhece assim que este fenómeno é fruto da busca de novas formas de comunicação.

Lévy adverte que atualmente a tarefa de reunir tanta informação de que dispomos é impossível, fazendo assim uma analogia desde dilúvio ao dilúvio da arca de Noé. Cada indivíduo, dentro desta universalidade de informações, deve saber escolher a mais relevante e dar-lhe o significado que entender.

A definição de ciberespaço, segundo Lévy, não como algo material, mas como um novo meio de comunicação que surge a partir da conexão de computadores.

“Eu defino ciberespaço como o espaço de comunicação aberta pela interligação mundial dos computadores e das memórias informáticas.”

Lévy (2000, p. 95).

É neste ciberespaço que surge, para Lévy, o conceito de cibercultura. A cibercultura surge e é transformada a partir do ciberespaço. Tal como a escrita limita o universo, a cibercultura tem a sua origem na desconexão dos operadores sociais, a totalização e a universalidade.

Pode-se dizer que cibercultura advém de cibernética e de cultura. Lévy entende a cibercultura um conjunto de práticas e atitudes, valores, pensamentos, que evoluem a par do ciberespaço. Estamos perante um conceito complexo e não estanque.

Exemplos significativos de cibercultura:

  • Comunidades de aprendizagem a distância

A oralidade e, posteriormente as formas de escrita, sempre foram um meio de comunicação e, por conseguinte, um meio para a aprendizagem. Com o surgimento, e massificação, das tecnologias de informação e conhecimento, tornou-se numa forma de produção do conhecimento e das aprendizagens. O professor deve ser, segundo Lévy, o animador da inteligência coletiva. Tem assim um papel preponderante na gestão das aprendizagens, tendo um papel de mediador racional e dando orientações aos percursos dos estudantes. Trata-se de certa forma de uma aprendizagem à descoberta, constituindo assim, a partir de buscas orientadas, novas aprendizagens que são mais duráveis e transferíveis.

Aliados ao custo reduzido e fácil usabilidade, há uma proliferação de plataformas e recursos online de disseminação do conhecimento: repositórios abertos, recursos educacionais abertos, bibliotecas online, cursos de massificação online (MOOCs), entre outros.

“A desterritorialização da biblioteca a que assistimos hoje não pode ser senão o prelúdio do aparecimento de um quarto tipo de relação com o conhecimento. (…) Só que, desta vez, contrariamente à oralidade arcaica, o transmissor direto do saber já não seria a comunidade física e a sua memória carnal, mas o ciberespaço, a região dos mundos virtuais, por intermédio do qual as comunidades descobrem e constroem os seus objetivos e se conhecem elas próprias como coletivos inteligentes.”

Lévy (2000, p. 175).

  • Simulação

A simulação, segundo Lévy, é algo próprio da cibercultura. Para este autor, a simulação é uma “tecnologia intelectual” que aumenta a inteligência individual e a coletiva. As simulações potenciam as capacidades de imaginação e pensamento dos indivíduos, e também as cognitivas tais como memória, cálculo e raciocínio lógico.

As simulações estão também presentes em jogos e outras atividades. Um ambiente virtual sobejamente conhecido na rede – Second Life, como processo de gamificação tão motivador que é, com as suas interações e dinâmicas na rede, pode potenciar, através de simulações, ambientes virtuais de aprendizagem.

“Pode entender-se a noção de comunicação através do mundo virtual partilhado a outros sistemas para além dos que simulam uma interação no seio de um universo físico tridimensional «realista»”.

Lévy (2000, p. 107).

  • Comunicação por imagem e vídeo

Diz o velho ditado popular que «uma imagem vale mais que mil palavras» e um vídeo, sendo tecnicamente um conjunto de imagens, vale mais que muitas imagens. Uma foto transmite uma identidade visual, um vídeo transmite sentimentos. A título exemplificativo, o curriculum vitae feito em suporte vídeo, transmite uma série de características do candidato (expressões faciais, sinais de nervosismo, traços de não verdades) que com a leitura do mesmo em formato papel, ou por foto, seria impossível constatar.

Atualmente, tanto na rede como, mais especificamente, nas redes sociais, a presença de imagens e vídeos são constantes – veja-se o exemplo das selfies. Na internet existem repositórios de fotografias e de vídeos.

Uma das ferramentas e alojamento de vídeo mais conhecidas atualmente é o Youtube. Permite alojamento de vídeos (músicas, simulações, apresentações) onde cada indivíduo facilmente grava, edita e partilha o seu trabalho.

“Quanto à imagem, ela perde a sua exterioridade de espetáculo para se abrir à imersão. A representação dá lugar à visualização interativa de um modelo, a simulação sucede à semelhança. O desenho, a fotografia ou o filme aprofundam-se acolhem o espetáculo ativo de um modelo digital, e mesmo uma conetividade de trabalho ou de recreio empenhada na construção de cooperativa de um universo de dados.”

Lévy (2000, p. 159).

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“A partir do século XIX, com o alargamento do mundo, a descoberta progressiva da sua diversidade, o crescimento cada vez mais rápido dos conhecimentos científicos e técnicos, o projeto do domínio do saber por um indivíduo ou um pequeno grupo tornou-se cada vez mais ilusório. Hoje, tornou-se evidente, tangível para todos, que o conhecimento está definitivamente para o lado do intotalizável, do indominável.”

Lévy (2000, p. 172).

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Referência bibliográfica:

Lévy, P. (2000). Cibercultura. Lisboa: Piaget.


 

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